ACADÊMICOS DA FACULDADE VÉRTICE PARTICIPAM DE PALESTRA INTITULADA “DA REPÚBLICA DO MANHUASSÚ À GUERRILHA DO CAPARAÓ”

Na última terça-feira, dia 23 de fevereiro de 2010, teve início o projeto de extensão intitulado “Da República do Manhuassú à Guerrilha do Caparaó”, projeto esse coordenado pelas professoras Andréia Almeida Mendes e Rita de Cássia Ferreira Pedrosa Lazaroni, tendo por objetivo resgatar a história regional da Vertente Ocidental do Caparaó, analisando questões sociais, políticas e ideológicas.

Para dar início a esse projeto, ocorreu no novo auditório da Faculdade Vértice, uma palestra com o escritor Bibiano Alex Rocha, autor dos livros “Nos bastidores da PM: o efeito de um ideal”, em que relata o Movimento dos Policiais Militares de 1997, que começou em Minas Gerais e depois se espalhou pelo país, apresentando uma visão dos acontecimentos sob a ótica de que vivenciou o Movimento; e “Zé Fucim”, um livro destinado ao público infantil que tem como personagens, um cachorro vira-lata e sua turma, que participam de aventuras recheadas de informações relevantes, explicitando temas como a conquista da cidadania e a preocupação com o meio ambiente. Após a palestra, o escritor relatou que esse segundo livro já possui inclusive projeto aprovado pelo Ministério da Cultura para as próximas publicações – é provável que até o fim do ano tenhamos publicado mais uma aventura desse simpático cachorrinho. Enquanto isso, há a possibilidade de se ter notícias dessa personagem através do site http://www.zefucim.com.br/ .

Durante a palestra, o escritor teve a oportunidade de relatar sobre sua participação no Movimento dos Policiais Militares de 1997; ele foi o primeiro Policial Militar que mostrou sua indignação com o descaso dos profissionais de Segurança Pública, quase dois meses antes do Movimento Reivindicatório das Praças da PM. Logo em seguida, fez referência a outro movimento, dessa vez contrário à ditadura militar, acontecido em 1966, a Guerrilha do Caparaó; esse movimento que foi inspirado na guerrilha de Sierra Maestra, em Cuba, contando também como apoio financeiro cubano, obtido através de negociações entre Leonel Brizola; o movimento foi constituído majoritariamente por ex-militares, expulsos das Forças Armadas, que permaneceram na Serra do Caparaó por alguns meses realizando treinamentos e fazendo o reconhecimento da região. O movimento foi frustrado antes mesmo de entrar em ação: os integrantes foram presos pela Polícia Militar mineira após serem denunciados pela própria população.

Todo esse furor revolucionário em terras mineiras tem, segundo o escritor, um passado histórico que apesar de curto, serve para mostrar a capacidade de articulação de um político que seguia os seus ideais – o Coronel Serafim Tibúrcio – que, no dia 15 de maio de 1896, proclamou a República do Manhuassú, assim mesmo com dois “ss”. Apoiado por outros coronéis da região, o coronel Tibúrcio reuniu cerca de 800 homens e invadiu Manhuaçu, passando a controlar a região e proclamando-a república independente do Brasil (a República do Manhuassú possuía até moeda oficial: o boró). A república durou 22 dias; a autoridade estadual foi informada, enviou tropas para combatê-los, mas foram todas as investidas contra a nova república foram derrotadas. Somente quando houve intervenção de tropas do exército para combater os revoltosos é que, temendo um massacre da população, Coronel Tibúrcio e seus capangas decidem abandonar a República do Manhuassú.

A educação é uma coleção de vivências, convivências, leituras, experimentações e observações; ao participar de todo esse resgate histórico documental, nossos alunos puderam conhecer histórias de nossa região, saber de nossas origens e, acima de tudo, refletir sobre o fato de nos tornarmos cidadãos politizados.

 


 

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